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    CORINNE HELINE

        (1882 - 1975)

  

 


     
     Portrait of mystical writer Corinne Heline, disciple of Max Heindel

          Author: Bro. +Vicente Velado

 

Uma luminosa «teia do destino» desde muito cedo se teceu na vida da rosacruciana Corinne Heline, autora de 28 volumes de obras esotéricas.

Antes de prosseguir o alinhavo do breve esboço biográfico que compilei de diversas fontes, sobre esta autora, cumpre-me esclarecer dois pontos que ao leitor de formação Rosacruciana podem parecer de problemática aceitação. São eles:

(1) A utilização, por Corinne Heline, do termo «New Age» — Nova Era —, termo que se divulgou a partir dos anos 70 do século xx como veículo de um conjunto heteróclito de ideologias mais ou menos «esotéricas», sendo que algumas, inclusivamente, se contrariam entre si e em que se mistura um pouco de tudo, desde o tantrismo hindu à iniciação egípcia, passando por técnicas meditacionais de realização pessoal, etc. [NOTA: Não tenho nada contra o tantrismo, a iniciação egípcia ou as diversas formas de meditação; acho apenas que se não devem misturar — cada coisa em seu Raio];

(2) A intensa devoção de Corinne Heline à Virgem Maria, em aparente contradição com a doutrina expendida por Max Heindel nas suas obras, em geral, e em especial em A Maçonaria e o Catolicismo.

Quanto ao primeiro ponto, basta esclarecer que a «New Age» citada nas obras de Max Heindel, Theodore Heline e Corinne Heline no primeiro quartel do século xx, ao contrário da «New Age» de segunda vaga dos anos 70, não se refere apenas à iminente Era do Aquário, embora estes três pioneiros a ela façam frequente menção. No espírito da Filosofia Rosacruciana a verdadeira Nova Era é a Sexta Época, ou Nova Galileia, também designada, ocultamente, por «Reino de Deus»[1] e «Nova Jerusalém». Actualmente encontramo-nos na Quinta Época, Ariana. Ouçamos Max Heindel:

«Nas primeiras duas Épocas [Polar e Hiperbórea] o ser humano evolucionou um corpo e vitalizou-o ; na Terceira Época, Lemúrica, desenvolveu o desejo ; na Quarta Época, Atlante, produziu a astúcia ; e na Época actual, Ariana, incrementou a razão. Na Nova Galileia a humanidade terá corpos mais finos e etéreos do que actualmente, a Terra será transparente, e os corpos serão mais facilmente responsivos aos impulsos espirituais. […] A Nova Galileia será formada por Éter Luminoso permeado de luz solar, nela não haverá noite e será uma terra de Paz (Yeru-Shalem) onde se realizará a Irmandade Universal de todos os seres, unidos pelo Amor» (The Rosicrucian Christianity Lectures, Lecture 14: «Lucifer: Tempter or Benefactor?», p. 240).

No Conceito Rosacruz do Cosmos, Max Heindel acrescenta: «Os cristãos esotéricos e os estudantes de todas as escolas ocultas estão esforçando-se por atingir o grau mais elevado, que será alcançado, genericamente, na Sexta Época, ou Nova Galileia, quando a unificante Religião Cristã abrir os corações dos seres humanos, tal como o seu entendimento está sendo aberto agora» (Cap. XII - Evolução da Terra), e também: «Na Nova Galileia, que é a vindoura Sexta Época, o Amor tornar-se-á inegoísta e a Razão aprovará os seus ditames. A Irmandade Universal realizar-se-á porque cada um trabalhará para o bem de todos, e as propensões egocêntricas serão coisa do passado» (Cap. XIII - Em Direcção à Bíblia).

É a Nova Jerusalém descrita no Apocalipse:

«E vi um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra haviam desaparecido; e o mar já não existia. E vi a cidade santa, a Nova Jerusalém, que descia do céu, de junto de Deus, ornamentada como uma noiva que se ataviou para o seu esposo» (Apocalipse 21, 1-2).

Esta Nova Jerusalém, construída no Primeiro Céu (região superior do Mundo do Desejo, ou do Mundo Astral como lhe chamava Paracelso) pelos cristãos devotos, tornar-se-á visível durante a Sexta Época ou Nova Galileia, estando por conseguinte muitíssimo distanciada, no futuro, da Era do Aquário. Por isso Max Heindel tanto insiste no serviço amoroso e desinteressado aos demais: «O serviço constrói o corpo anímico [soul body], o glorioso Trajo de Núpcias sem o qual ninguém pode entrar no Reino de Deus, designado ocultamente como «Nova Galileia», e não importa o grau de consciência que o candidato tenha ou não do percurso, desde que cumpra o seu dever. Além do mais, como o luminoso corpo anímico se desenvolve por dentro e em torno da própria pessoa, a sua luz ensinar-lhe-á os Mistérios sem necessidade de livros, e quem tenha sido assim instruído por Deus conhece mais do que tudo quanto esteja contido em todos os livros do mundo» (Max Heindel, Gleanings of a Mystic, pp. 135-136).

Uma vez que a Nova Idade, ou Nova Galileia, se cumprirá nos tempos apocalípticos como «Nova Jerusalém», tal significa que ocorrerá então o Segundo Advento, do Cristo Glorioso — tempos esses em que «seremos arrebatados às nuvens ao encontro do Senhor, nos ares», tal como nos diz o Iniciado Paulo na sua primeira epístola aos Tessalonicenses (4, 17), significando «nos ares», aqui, «em corpo etérico», ou melhor, no subtil «corpo anímico» formado pelos dois éteres superiores: Luminoso e Reflector; então, cantaremos ao Senhor (Cristo) «um Cântico novo, dizendo: Digno és de tomar o livro e de lhe abrir o selos, pois foste degolado e com o teu sangue resgataste para Deus gente de toda a tribo, língua, povo e nação; fizeste deles reis e sacerdotes para o nosso Deus» (Apocalipse 5, 9-10).

Trata-se duma profecia, sem dúvida, mas sobretudo duma promessa, em que a condição conjunta de rei e sacerdote se verificará como recompensa desejável para essa vindoura Nova Era — «New Age» —, de santidade e de paz.

É esta condição conjunta, de rei e sacerdote, que nos vai esclarecer em seguida o segundo ponto referido acima, acerca da (aparentemente) contraditória devoção da rosacruciana Corinne Heline à Virgem Maria.

No seu livro A Maçonaria e o Catolicismo, Max Heindel põe em paralelo as duas grandes linhagens da espécie humana, segundo uma interessante lenda maçónica que diverge nalguns pontos da tradicional génese bíblica: antes de conhecer Adão, Eva conheceu o anjo luciferino Samael, e dele teve Caim. Como entretanto Samael se revoltou contra Jahvé, foi expulso por este, e o filho de ambos, Caim, foi chamado «o filho da Viúva». Jahvé criou Adão, que se uniu a Eva e nasceu Abel. Mas Abel foi morto por Caim e Adão e Eva tiveram um novo filho, Seth, para substituir Abel.

O anjo Samael representa as forças marcianas de Lúcifer, que fizeram a sua morada no planeta Marte, são as «Hierarquias do Fogo» e deram origem à Ordem Maçónica e à «luz interna», aprisionada, que permite ver e conhecer. É a linhagem do intelecto, ou «linhagem mental» (Ocultismo — Escolas de Mistérios). Caim e seus descendentes são os seus representantes humanos.

Por sua vez o anjo Gabriel, anunciador dos nascimentos, representa as Hierarquias Lunares presididas por Jahvé, ou seja, as «Hierarquias da Água» que deram origem à Igreja católica e à «fé devocional», e se opõem à Gnose; é a linhagem do coração, ou «linhagem cordial» (Misticismo — Igrejas). Seth e seus descendentes são os seus representantes humanos.

Desde tempos imemoriais que existe antagonismo entre ambas as linhagens:

(a) A do homo faber que trabalha o fogo: — o aparelho de Estado e os reis, os artífices, a indústria, descendentes de Caim e associados ao luciferino planeta Marte, deus do ferro, do fogo e da guerra, cuja Organização Iniciática, a Ordem Maçónica, tem como ideal Hiram Abiff, descendente de Caim e construtor do Templo de Salomão, modelo da «linhagem mental», também chamada «linhagem real»;

(b) A do homo pius submetido à água benta: — os clérigos, os devotos, os sacerdotes, descendentes de Seth e associados à húmida Lua, planeta da alma, da fecundação, das emoções, cuja Organização Sacramental é a Igreja; o seu ideal feminino é a Virgem Maria, modelo da «linhagem cordial», também chamada «linhagem sacerdotal».

Houve porém um tempo, recuadíssimo, em que aquele antagonismo não existia, simbolizado pelo mito de Melquisedec, misteriosa personagem bíblica que, sendo Rei e Sacerdote (união das duas linhagens) fez um sacrifício de pão e vinho (Génesis 14, 18-20), prefigurando a vindoura Dispensação Crística, que eliminou os sacrifícios de carne e sangue.

A desunião deu-se na quarta Idade, onde começa o terceiro capítulo do Génesis, e tem-se mantido até aos nossos dias — e manter-se-á ainda por toda a Época Ariana.

A Idade Vindoura, ou Nova Galileia, promoverá a re-união em Cristo, também Ele Rei e Sacerdote, «proclamado por Deus Sumo Sacerdote segundo a Ordem de Melquisedec» (Hebreus 5, 10). Esta Ordem de Melquisedec, regida por Cristo, Rei e Sacerdote, justo e santo, reinará portanto na Sexta Época, a Nova Jerusalém do Apocalipse, em que todos os seres se reunirão em perfeito AMOR.

Por conseguinte, ambas as vias são indispensáveis, na fase actual, para se chegar a uma desejável, ainda que futura, plena convergência, e para que os seres humanos atinjam a perfeição de sentir com a mente e pensar com o coração.

Está assim explicada a perplexidade de certos estudiosos de Max Heindel que encontram, nos seus escritos, ora desenvolvimentos místicos (cordiais), ora desenvolvimentos ocultos (mentais); é que Heindel já se encontrava num grau de avanço em que a convergência começava a fazer-se sentir de forma marcante, ao longo de ambas as linhas. O mesmo sucede com Corinne Heline: sendo uma Iniciada numa Escola de Mistérios (Ocultismo), o seu avanço exige igualmente o desenvolvimento devocional feminino. Assim, a sua devoção à Virgem Maria, ou à Divina Mãe, é a indispensável via cordial (mística) paralela e complementar à via mental (oculta), sendo esta proporcionada não só pelo intelectualismo imperante na nossa Época (razão científica e filosófica) mas também pelas Escolas de Mistérios, como por exemplo a actual Escola de Mistérios Rosacruzes.

 

Após esta ressalva prévia, esbocemos em breves linhas o percurso espiritual de Corinne Heline.

Desde menina, já evidenciava uma mente brilhante e inquisitiva, a par duma consciência muito avançada; passava horas a visitar e a contemplar uma belíssima escultura da Virgem Maria na igreja católica que ficava do outro lado da rua onde se situava a Escola Dominical Metodista, onde estudava. Mais tarde, lembrar-se-ia que foi este primeiro e inspirador contacto com a Divina Mãe que haveria de constituir uma presença permanente, amorosa e protectora, para tudo quanto veio a escrever. Toda a sua dedicação, ao longo da vida, centrar-se-ia na Virgem Divina.

Corinne teve a consciência da sua missão desde a mais tenra idade. Tinha ela quatro anos e costumava reclinar a cabecita sobre a Bíblia aberta, que a mãe lia, e explicava: «Há uma coisa maravilhosa e muito bonita neste Santo Livro, e um dia hei-se saber o que é». Era ela uma alma que devido à sua preparação anterior, pôde facilmente imprimir na mente consciente, desde a infância, a importância do trabalho que lhe estava cometido na presente encarnação.

Na adolescência, descobriu o fascínio da literatura oculta na vasta biblioteca particular duma vizinha que a recebia carinhosamente, e que se interessava por Teosofia e Rosacrucianismo. Leitora ávida da Bíblia, Corinne verificou que a podia entender melhor com o auxílio dos livros de filosofia oculta que a vizinha lhe emprestava. Os livros sobre reencarnação, sobretudo, desvendaram-lhe um novo mundo, dando-lhe resposta a muitas questões. Um dia a vizinha ofereceu-lhe um exemplar do Conceito Rosacruz do Cosmo, de Max Heindel, e toda a sua vida mudou a partir de então.

Corinne nascera em Atlanta, na Geórgia, em 13 de Agosto de 1882, no seio duma família abastada. A mãe morreu-lhe quando ela tinha 16 anos, deixando-lhe uma confortável herança que Corinne mais tarde utilizou para editar livros. A jovem sofreu profundamente com a morte da mãe, até que uma noite a mãe lhe apareceu dizendo que se encontrava feliz nos Mundos Superiores, e lhe pediu que deixasse de chorar e procurasse alegrar o pai, minorando-lhe o desgosto. Disse-lhe mais, que fosse a um velho baú onde estava guardado o dinheiro do Natal, e que comprasse uma Bíblia nova. Foi esta Bíblia que Corinne usou durante todo o tempo que levou a escrever a sua monumental obra New Age Bible Interpretation.

Após a morte da mãe, Corinne mudou-se para a Califórnia onde foi discípula durante cinco anos de Max Heindel, que a encorajou e auxiliou no seu desenvolvimento espiritual, tendo-lhe pedido, antes de morrer em 1919, que não deixasse de levar por diante o trabalho de divulgar certos aspectos dos ensinamentos Rosacruzes.

Foi cerca de três anos após a morte de Max Heindel, na véspera do Natal de 1922, que Corinne teve a súbita inspiração mística de que era chegado o momento de dar início ao trabalho que lhe estava superiormente destinado, ou seja, interpretar a Bíblia à luz da Tradição esotérica. Foi a seguinte, a visão que teve: viu-se presente na Última Ceia, onde decorriam duas celebrações: uma, com Jesus e os Seus discípulos, numa sala; e outra, numa sala só com mulheres, onde Maria sentada à cabeceira da mesa dava instruções para o futuro disseminar da Doutrina. Corinne ficou muito chocada quando Maria a encarregou de escrever uma interpretação da Bíblia, e escusou-se: «Porquê eu? Não tenho qualificações». Mas Maria aproximou-se dela, beijou-a numa face e disse: «Ajudar-te-ei».

Foi uma tarefa monumental aquela a que Corinne se dedicou nesta encarnação, e pela qual gerações de estudantes lhe ficarão eternamente em dívida. As suas obras constituem uma exposição exaustiva do plano de evolução e de Iniciação para as Eras de Peixes e de Aquário, tal como vem apresentado na Bíblia.

Logo após a morte de Max Heindel, Corinne entabulou uma relação duradoura com Theodore Heline, actor shakespeariano, escritor e editor da revista esotérica Rays from the Rose Cross. Mais tarde ele tornou-se editor e fundador duma outra revista esotérica, New Age Interpreter, tendo fundado igualmente uma casa editorial, a New Age Press. Corinne e Theodore viajaram largamente pelos Estados Unidos, dando conferências que esgotavam lotações, nomeadamente no Santuário do Centro New Age de Filosofia e Estudos Bíblicos, de Santa Mónica, onde foram ordenados ministerialmente. Foi nessa época que casaram, tendo Theodore por fim abandonado a sua carreira de escritor e conferencista para se dedicar a apoiar Corinne e divulgar a obra dela por todo o mundo. Tal como Corinne e Max Heindel, ele foi um pioneiro da Era do Aquário, não se poupando a esforços para utilizar as suas experiências de vida numa tarefa tão exaltante como desafiadora.

Após a morte do pai de Corinne, o casal Heline comprou uma casa numa colina da Califórnia, à qual chamaram Madonna Crest («Outeiro de Nossa Senhora»), em homenagem à Virgem Maria. Era um local muito aprazível, um santuário de paz e tranquilidade, rodeado por um belo jardim cheio de árvores e flores. Foi aí que ela escreveu a maior parte da sua magnífica obra, e onde dava conferências e cursos, sempre muito concorridos.

Para além dos sete volumes de New Age Bible Interpretation, Corinne Heline escreveu muitos e inspirados livros, como por exemplo Magic Gardens e Star Gates, onde faz referência às quatro Sagradas Celebrações Sasonais — os Solstícios e Equinócios —, que eram sempre celebrados em Madonna Crest com rituais apropriados. Tanto nestes como em outros livros que escreveu, Corinne sempre procurou ajudar os investigadores espirituais a manifestarem no plano físico os Templos de Música e de Cura que formarão parte da nova expansão de consciência de Aquário, e respectivos métodos naturais de cura. Corinne tinha a capacidade de visitar estes antigos Templos fazendo uso da sua clarividência e da sua consciência expandida, que lhe permitiam aceder aos mundos invisíveis donde trazia os princípios espirituais com que enriquecia os seus livros.

Concluiu os sete volumes de New Age Bible Interpretation em 1954, quando já contava 72 anos. Theodore Heline transitou subitamente aos Mundos Superiores em 1971; Corinne poucos anos lhe sobreviveu, tendo transitado em 1975 com a bonita idade de 93 anos. O serviço fúnebre foi celebrado pelo reverendo Gene Sand, amigo do casal e que ensinou durante mais de 50 anos no Centro New Age de Santa Mónica. O serviço foi muito belo, segundo relatam testemunhas, e os possuidores de visão espiritual puderam contemplar um maravilhoso agrupamento que veio dar as boas-vindas a Corinne, entre os quais Max Heindel e outros que se haviam devotado a participar na construção do ciclo que agora se encerra. Actualmente, Corinne continua a sua obra nos planos superiores como discípula Maior da Hierarquia, para benefício de todos os estudantes e aspirantes que desejam ser instrumentos conscientes no alvorecer da Nova Era.

 

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[1] O Evangelho de Mateus, inserido em ambiente judaico em que o nome de Deus, por reverência, se evitava pronunciar, emprega preferencialmente «Reino dos Céus», ao contrário dos restantes evangelistas, dos Actos dos Apóstolos, das epístolas de Paulo, etc. onde a fórmula «Reino de Deus» é utilizada sem restrições. Ambos os sintagmas se podem usar indiferentemente, porque significam o mesmo.

 

MEU TRIBUTO A MAX HEINDEL

por Corinne Heline

 


Portrait of  Max Heindel

Author: Bro. +Vicente Velado

 

Queridos amigos, meu coração está muito feliz por poder estar aqui com vocês nesta ocasião e prestar minha pequena homenagem a nosso amado Max Heindel. Gostaria de contar-lhes sobre o dia em que conheci este homem extraordinário e, para fazer isso, terei que falar rapidamente sobre a minha vida pessoal. Espero que me perdoem por isso.


 

Talvez vocês saibam, pela minha maneira de falar, que nasci e fui criada no Sul. Eu era filha única e os meus primeiros anos foram cheios de dedicação por minha adorada mãe. Ela foi sempre para mim como uma linda fada. No entanto, ela era frágil e os dias de minha infância eram envoltos em medo de que algum dia eu poderia perdê-la. Assim, decidi, naquela época que se ela morresse eu iria com ela.


 

Como podem ver, eu não sabia nada sobre o Renascimento e a Lei de Consequência. Nasci procurando a Luz e respostas para perguntas que nem sequer sabia formular. Não compreendia exatamente o que estava buscando. Conseqüentemente, não tinha idéia onde achá-las. E, como todos sabem, o Sul é profundamente ortodoxo e conservador, mas uma coisa eu sabia: que em algum lugar devia haver uma resposta mais adequada para os problemas da vida e da morte do que a ortodoxia dava e estava determinada a encontrá-la.


 

Enquanto isso, minha mãe ficava cada vez mais fraca e eu estava sempre cheia de medo de perdê-la. Alguns meses antes de sua doença fatal, uma amiga me telefonou e disse ter encontrado um livro novo que ela estava certa de que era exatamente o que eu estava procurando. Naquela mesma tarde eu fui à sua casa e vocês podem adivinhar que o livro era o "Conceito Rosacruz do Cosmo".


 

Quando vi a Cruz de Rosas e li que nós tinhamos que transmutar as rosas vermelhas em uma rosa branca, eu soube que finalmente tinha encontrado o que queria. Naquela noite, antes de dormir, meu pedido já estava no correio a caminho de Oceanside. Contei os dias até o inestimável livro chegar e, assim que ele chegou, o médico disse que minha mãe tinha que se submeter a uma operação muito séria. Então, este livro passou a ser meu companheiro inseparável. Dormia com ele debaixo do travesseiro, pois, embora pareça estranho, ele era o único consolo que o mundo poderia  me dar. Depois da operação, o médico disse que não havia esperança e que ela só teria alguns meses de vida.


 

Eu continuava apegada ao meu abençoado livro. Então, de repente, tive um pensamento novo e estranho. Será que eu devia me matar e ir com minha mãe como tinha planejado ou deveria  ir para Oceanside e dedicar minha vida ao trabalho de Max Heindel? A segunda parte da pergunta era a resposta. Estava decidida e, dez dias depois que minha mãe me deixou, eu estava em um trem, o Conceito debaixo do braço, a caminho da Califórnia para encontrar Max Heindel. Ele parecia ser o único bálsamo para minha dor que o mundo poderia me dar.


 

Oh! Quem dera que eu pudesse descrevê-lo realmente no primeiro dia em que o vi aqui em Mt.Ecclesia! Ele veio encontrar-se comigo com as mãos estendidas e sua face iluminada pela ternura, simpatia e compaixão. E, notem bem, eu não tinha tido nenhum contato pessoal com ele. Conhecia-o só através de seu livro e vocês podem imaginar minha enorme surpresa quando ele segurou minhas mãos nas suas e disse carinhosamente:  "Minha filha, eu estive com você dia e noite durante a provação pela qual você acabou de passar. Eu sabia que quando terminasse, você viria. Agora você pertence ao meu trabalho".


 

Aquele, queridos amigos, foi um dia muito significativo em minha vida. Foi o dia em que me dediquei completamente à vida espiritual e à Filosofia Rosacruz. Por cinco anos maravilhosos tive o privilégio de conhecer aquele homem sábio, de estudar e ser treinada sob sua direção e supervisão. Sempre considerei aqueles cinco anos como sendo os mais bonitos e mais espiritualmente frutíferos de toda a minha vida. Queria ser capaz de descrever aquele homem maravilhoso como o conheci. Quando penso em suas admiráveis características, talvez a qualidade que mais profundamente apreciei foi sua extraordinária humildade. Enquanto ele estava ávido em ajudar onde quer que fosse possível, estava sempre firme mantendo no seu interior a personalidade de Max Heindel. Enquanto eu estudava sua completa dedicação à vida simples, muitas vezes pensava nas palavras de nosso Senhor Cristo: "Eu não sou nada. É o Pai que tudo faz".


 

Eu penso, queridos amigos, que Max Heindel demonstrou a mais perfeita combinação do ser místico e prático que já conheci. Ele era simples e humilde. Os serviços domésticos mais simples ele fazia com a maior dignidade e satisfação. Ele descia ao curral e ordenhava a vaca se necessário fosse, pois como sabem, naquele tempo nós tivemos um curral e uma vaquinha aqui em Mt. Ecclesia. Ele tirava mel das abelhas, pois nós tivemos abelhas também. Ele subia nos postes telefônicos e consertava um fio partido; ele plantava árvores, cavava o jardim e colhia vegetais; ele fazia as coisas mais simples com a mesma dedicação e entusiasmo com que ia ao escritório,à sala de aula ou de conferência para expandir sua grande sabedoria ou talvez encontrar o Mestre que o guiou neste grande trabalho.


 

Nas noites de sábado, era costume manter uma sessão de perguntas e respostas na biblioteca. Havia uma mesa que se estendia por todo o comprimento da sala e os estudantes se reuniam em volta com o Sr. Heindel, de pé, para responder as perguntas. Cada estudante podia fazer uma pergunta e tinha de ser por escrito. Então, o Sr. Heindel recolhia as perguntas e respondia uma a uma. Observando-o cuidadosamente, eu descobri que ele, intuitivamente, sabia a quem cada pergunta pertencia e sempre se dirigia àquele de quem a pergunta tinha vindo. Nas  muitas vezes que assisti a essas memoráveis sessões, ele nunca se enganou em identificar a pessoa que tinha feito a pergunta. Era sempre cuidadoso e meticuloso e nunca deixava uma pergunta sem ter certeza de que aquele que perguntara estivesse completamente satisfeito com a resposta.


 

Foi numa destas maravilhosas reuniões esclarecedoras que eu adquiri meu primeiro entendimento do importante lugar que a cor e a música iriam ocupar na preparação do mundo para a próxima Nova Era. Max Heindel anunciava que dedicaria uma hora para perguntas e respostas nestas reuniões. Entretanto, constantemente, essa hora era estendida para duas ou duas e meia e até três horas. Eram momentos tão estimulantes que o tempo parecia voar nas asas do encantamento.


 

Queridos amigos, quisera ser capaz de dizer-lhes tudo o que Mt. Ecclesia significava para Max Heindel quando o conheci. Como ele amava este lugar! Ele sabia o grandioso destino que estava guardado para o trabalho que ele fundamentou. Naquela época, havia um banco colocado perto da Cruz de Rosas iluminada que ficava no jardim. Ali ele se sentava cada noite, por alguns minutos ou  talvez uma hora antes de se recolher, orando ou meditando, irradiando amor e bençãos sobre esta terra sagrada e sobre todos aqueles que viviam aqui servindo à Obra fielmente.


 

Quisera descrever para vocês como seu semblante amigo se iluminava quando ele, com profunda reverência e devoção, olhava a iluminada Cruz de Rosas que tanto significava para ele. Nunca se cansava de nos falar das coisas maravilhosas guardadas em Mt. Ecclesia. Ele falava constantemente da Panacéia, a fórmula da qual os Irmãos Maiores da Rosa Cruz são guardiães e cujos discípulos capacitados terão a permissão de usar na cura e consolo de multidões que chegarão de todas as partes do mundo para esta capela sagrada.


 

Ele nos falava de seu sonho de um belo teatro grego que seria, em sua visão construído no canyon abaixo da Capela e no qual seriam apresentadas peças com mensagens espirituais e verdades ocultas tais como os grandes dramas de Shakespeare e outros clássicos inspirados. Ele também via um tempo em que Mt. Ecclesia teria sua esplêndida orquestra composta de estudantes regulares  e que  apresentaria no teatro obras dos grandes mestres compositores, particularmente Beethoven e Wagner, os quais reconhecia como elevados Iniciados na música. Ele também dizia que haveria aulas de introdução musical. Max Heindel gostava de falar dos Irmãos Maiores e de como eles, em seus estudos sobre a Memória da Natureza, tinham sido capazes de observar através das eras e ver as condições do mundo de hoje. Foi por esta razão que eles deram a Filosofia Rosacruz ao mundo.


 

Queridos amigos, a alma do mundo de hoje está doente, cheia de sofrimento, busca e questionamento. Não há resposta para estas perguntas. O que o mundo está verdadeiramente procurando é uma ciência mais espiritualizada e uma religião mais científica. A Filosofia Rosacruz tem a resposta para estas duas questões. A Filosofia é a continuação do trabalho que nosso Mestre, Cristo, trouxe para a Terra e deu para os Doze Imortais. Ela contém o inestimável presente que Cristo nos trouxe, isto é, as Iniciações Cristãs que contêm o verdadeiro sentido da religião da Era de Aquário que se aproxima. Max Heindel entendeu tudo isto muito bem. Ele sabia do grande destino que está reservado para a sua obra. Desta forma, nunca permitiu que o desapontamento ou as dificuldades o detivessem. Ele  sempre manteve seus olhos fixos nas estrelas.


 

Queridos amigos, é um grande privilégio sermos guardiães deste grande trabalho e deste consagrado lugar, que foi escolhido pelos Grandes Seres como um local de treinamento para aqueles que puderem passar pelos testes rigorosos que os tornarão capazes de ser incluídos entre os pioneiros da Nova Era que se aproxima.


 

Assim, meus amigos, sigamos todos os passos de Max Heindel. Unamo-nos em paz, harmonia e amor para que possamos fazer nossa parte no desempenho da missão para a qual nosso amado líder se dedicou e sacrificou durante toda sua vida. Fixemos nossos olhos na direção das estrelas como ele fez. Vamos encarar este mundo com uma nova luz, um novo poder e uma nova esperança, porque só assim seremos fiéis à nossa busca e veremos o glorioso destino deste grande trabalho ser alcançado. É verdadeiramente a religião que será o coração e a pedra angular da nova Idade de Aquário. Que Deus abençoe cada um e todos no caminho da busca da Eterna Luz.


 

Este artigo, publicado na revista "Rays from the Rose Cross", em Jul/Ago. 1997, é baseado na palestra realizada em Mt. Ecclesia em 23 de julho de 1965, na comemoração do centenário do nascimento de Max Heindel. A oradora, Corinne Heline, competente aluna de Max Heindel e prolífica escritora de assuntos místicos e ocultistas. Sua obra mais conhecida é "New Age Bible Interpretation", uma coleção de sete volumes da qual o sétimo é "The Mystery of the Christos".

 

 

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